27 de jun. de 2011

Saiba mais sobre o "Cachalote"


Desde o início do séc. XVIII que este animal é perseguido pelo homem. Na cabeça destes animais encontra-se um órgão, denominado espermacete, rico em óleo e mais abundante nos machos devido à maior dimensão da cabeça. Produzem também o âmbar-cinzento, substância muito valiosa para a indústria dos perfumes e em alguns países consome-se a sua carne. Os dentes são ainda hoje bastante procurados devido ao seu marfim, que permite gravar e esculpir delicadas peças.

Ao longo do séc. XX, com o desenvolvimento das artes de pesca, a procura destes produtos valiosos terá reduzido a população mundial de cachalotes para metade. Em 1963/64 estima-se que tenham sido capturados 29.300 animais. Apenas em 1986 a captura comercial do cachalote foi banida, embora ainda hoje continue a ocorrer em países como o Japão ou a Noruega. A pesca seletiva de machos de maiores dimensões provocou perturbações no “sex-ratio”, afectando a taxa de natalidade da espécie.

Não existem atualmente estimativas concordantes do efetivo mundial da espécie. Alguns autores referem mínimos de 500.000 indivíduos, enquanto outros apresentam os valores de 2.000.000 (a população de pré-exploração está estimada em 2.700.00).
Devido ao seu enorme tamanho, o cachalote tem poucos inimigos naturais. No entanto, as crias são por vezes atacadas por orcas e tubarões de grandes dimensões.

ALIMENTAÇÃO

Alimentam-se a grandes profundidades, tanto de dia como de noite, podendo ficar submergidos até 2 horas e descer até 3.200 metros. No entanto, os mergulhos mais frequentes são os com 30 a 60 minutos de duração, a profundidades de 1000-1200 metros. As suas presas principais são as lulas (por vezes lulas gigantes) e outros cefalópodes. Os peixes têm pesos variáveis na dieta dos cachalotes, sabendo-se que em alguns locais, como na Islândia, chegam mesmo a ser a presa principal. Fazem ainda parte da dieta crustáceos (caranguejo e lagosta), alforrecas, focas, raias e inclusive tubarões.

O processo de captura das presas é difícil de estudar, pois ocorre a grandes profundidades. Algumas hipóteses são avançadas, entre as quais o uso de ecolocação na procura das presas; a detecção das lulas através dos seus órgãos luminescentes; nadar de boca aberta, capturando presas aleatoriamente; o uso da parte branca da boca como chamariz para atrair as presas; atordoamento das presas através de sons ultra-sónicos, entre outras.

REPRODUÇÃO

As fêmeas atingem a maturidade sexual entre os 7-13 anos, altura em que medem entre 8-9,5 metros. Os machos são sexualmente activos aos 18-21 anos, mas geralmente só se reproduzem alguns anos mais tarde, continuando a crescer até aos 40 anos de idade. Embora a reprodução dos cachalotes não dependa muito das estações do ano, há um certo padrão das épocas de acasalamento consoante o Hemisfério: geralmente no H. Norte ocorrem entre Janeiro e Agosto, com picos de Abril a Maio; no H. Sul ocorrem de Julho a Março, com picos de Setembro a Dezembro. A gestação é de 14,5-16 meses, nascendo então uma cria (muito raramente nascem gémeos) com cerca de 1 tonelada e 4-5 m de comprimento. A cria ingere diariamente cerca de 20 kg de leite, estendendo-se o período de lactação por 1-2 anos (embora alguns indivíduos tenham sido observados esporadicamente a mamar até aos 13 anos). O leite é obtido através do estímulo dos mamilos, que se encontram inseridos em fendas mamárias.


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